terça-feira, 6 de junho de 2017

Longos anos

Longos anos

Longos anos se passaram
encostei nossas lembranças
em um quarto abandonado
e de tempo em tempo
me pus a contempla-lo

longos anos se passaram
e não me desapeguei
de algo que vivi
um olhar, um abraço, 
uma conversa

longos anos se passaram
construí pontes e castelos
para em meu mundo
continuar a viver
mesmo sem você

mas em meus livros de poesia
você sempre foi 
a personagem principal

longos anos se passaram
e descobri que sentimentos
não se rompem
mas que são o barco
para me tornar consciente

consciente de que a tua felicidade
complementa a minha
não haveria dor maior
a de te ver sofrer 
com outra pessoa

que ditosas sejam nossas vidas 
agora inexoravelmente sei
que me tornei
um ser melhor

onde não há dúvida e remorso
a tela da vida é pintada
com as mais inefáveis e rutilantes cores
pelo maior artista Deus
com o melhor pincel o amor


Renato Victor 06/06/2017

 
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domingo, 4 de junho de 2017

Insatisfação

Insatisfação

Não desejo só corpo no corpo
não desejo só beijo no rosto
muito menos um breve consolo

além de beijo na boca
quero mais beijo na alma 

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Renato Victor

sexta-feira, 2 de junho de 2017

Um belo ditado Hindu e um recado ao poetas

Um belo ditado Hindu e um recado aos caros Poetas

"a madeira do Sândalo perfuma o machado que a corta"  
sei que muitos de vocês caros Poetas têm sido criticados ou até mesmo humilhados e amargam a profunda incompreensão de vossos sentimentos mas continuem a perfumar estes machados e que a poesia seja o silêncio em tua boca mas bravejar do teu coração.



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Renato Victor

sábado, 27 de maio de 2017

In memoriam: Poema 50


In memoriam: Poema 50


Permanece a mi lado, cuando se apague mi luz,
y la sangre se arrastre y mis nervios se alteren
con punzadas dolientes.
Y el corazón enfermo
y las ruedas del tiempo giren lentamente.

Permance a mi lado, cuando a mi fragil cuerpo
le atormenten dolores que alcanzan la verdad.
Y el tiempo maniaco siga esparciendo el polvo.
Y la vida furiosa siga arrojando llamas.

Permanece a mi lado, cuando vaya apagándome.
Y puedas señalarme el final de mi lucha.
Y el atardecer de los días eternos
en el bajo y oscuro borde de la vida.

Permanece a mi lado, cuando el camino se acabe.
Y lo recorrido no sea más que un recuerdo,
un instante suspendido en el tiempo, en la eternidad.
Y la verdad me alcance, y la verguenza se rinda.

Permanece a mi lado, cuando todos se hayan ido.
Y la soledad me amenace,
y la oscuridad me envuelva.
Cuando el sonido de tu voz sea el último nexo con la vida.
Y tus ojos me miren y tus labios me besen.

Permanece a mi lado, cuando la vida me deje,
y no pueda cantar, y no pueda gritar.
Cuando las olas del mar no me lleguen
y la brisa desprenda la verdad de mis días.

Permanece a mi lado, cuando todo parezca sucumbir al hastío.
Y el tedio se canse y la esperanza no nazca.
Y la música se ahogue, callada, lenta, mojada,
en mi burlada garganta.

Permanece a mi lado para no perderte ahora,
para quererte siempre, y así protegerte
de la llama incandescente que derriba las puertas
y aplasta las vidas, dejandolas muertas,
en espantosa huida.



Alfred Tennyson, Poemas


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O Lobo e o Cordeiro




O Lobo e o Cordeiro

Estava um Lobo a beber água num ribeiro, quando avistou
um Cordeiro que também bebia da mesma água, um pouco
mais abaixo. Mal viu o Cordeiro, o Lobo foi ter com ele de má
cara, arreganhando os dentes.
— Como tens a ousadia de turvar a água onde eu estou a
beber?
Respondeu o cordeiro humildemente:
— Eu estou a beber mais abaixo, por isso não te posso turvar a
água.
— Ainda respondes, insolente! — retorquiu o lobo ainda mais
colérico. — Já há seis meses o teu pai me fez o mesmo.
Respondeu o Cordeiro:
— Nesse tempo, Senhor, ainda eu não era nascido, não tenho
culpa.
— Sim, tens — replicou o Lobo —, que estragaste todo o pasto
do meu campo.
— Mas isso não pode ser — disse o Cordeiro —, porque ainda
não tenho dentes.
O Lobo, sem mais uma palavra, saltou sobre ele e logo o degolou
e comeu.

Fábulas de Esopo.

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sexta-feira, 26 de maio de 2017

O Galo e a Pérola

O Galo e a Pérola

Andava um Galo a esgravatar no chão, para achar migalhas
ou bichos que comer, quando encontrou uma pérola. Exclamou:
— Ah, se te achasse um joalheiro! A mim porém de que vales?
Antes uma migalha ou alguns grãos de cevada.
Dito isto, foi-se embora em busca de alimento.


Fábulas de Esopo.

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domingo, 21 de maio de 2017

Do-In


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A felicidade terrestre do homem rebelde

Para sempre romper quaisquer cadeias;
tornar a negra noite em claro dia;
derramar esperanças a mancheias;
e converter a dor em alegria...

Trocar os ódios feros em amores;
dar inefável bem por mal profundo;
abrir caminhos de olorosas flores;
gozar do paraíso neste mundo...

Dirigir o mental rumo às estrelas
para trazer luz que existe nela ;
fazer a eterna paz; matar a guerra;

Pôr em xeque o regime dos mil sesmos;
repartir por igual o chão, a terra,
e ser os donos de nós outros mesmos!

Carlos Navarro


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A felicidade terrestre do homem conformado

Dame, Señor, para que en ella muera, 
una de esas casonas aldeanas, 
con portón blasonado, con ventanas
de poyos y magnífica escalera;


con negros y altos techos de madera,
arcomes perfumados de manzanas,
balaustres de piedra en las solanas,
con hórreo al pie, y palomar y era.

Dame um huerto con pródígos frutales 
y sangrientos de rosas los rosales,
donde canta una fuente alegre y sola;

un libro de poemas, un tintero,
papel, café, cigarros, un frailero
y un perro que a mis pies nueva la cola.  

Rey Soto


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A felicidade terrestre do homem conformado

Las cosas que hacen feliz,
amigo Marcial, la vida, 
son: el caudal heredado,
non adquirido com fatiga;
tierra al cultivo no ingrata;
hogar con lumbre continua:
ningún pleito; poca corte;
la mente siempre tranquila;
decentes fuerzas; salud;
prudencia, pero sencilla;
decentes fuerzas; salud;
prudencia, pero sencilla;
igualdad en los amigos;
mesa, sin arte, exquisita;
noche, libre de tristezas;
sin exceso en la bebida;
mujer casta, alegre, y sueño
que acorte la noche fria;
contentarse con su suerte,
sin aspirar a más dicha;
finalmente, no temer
ni anhelar el poster dia.

Iriarte

A felicidade terrestre do homem ignorante

       El Sibarita

A mi n'ámas  me gusta
que dali gustu al cuerpo!
Si yo juera bien rico,
jacia n´ámas eso:
jechalmi güenas siestas
embajo de los fresnos,
jartalmi de gaspachos
con güevos y poelos,
cascalmi güenos fritis
con bolas y pimientos,
mercal un güen caballo,
tenel un bornalero
que tó me lo jiciera
pa estalmi yo bien quieto,
andal bien jateao,
jechal cá instanti medio,
fumal de doci perras
y andalmi de paseo
lo mesmo que los curas,
lo mesmo que los médicos...
Si yo juera  bien rico,
jacia n'ámas eso,
que a mi n'ámas me gusta
que dali gustu al cuerpo!

Gabriel y Galán

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sábado, 20 de maio de 2017